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Divisão de Acesso 2017: a volta do São Luiz à elite do futebol gaúcho

Para encerrar com chave de ouro as histórias de momentos marcantes e personagens inesquecíveis do Rubro, vamos relembrar a conquista da Divisão de Acesso 2017. Essa conquista coroou um trabalho árduo, com muitas dificuldades pelo caminho, mas ao final a união e a força prevaleceram, devolvendo ao Esporte Clube São Luiz o seu lugar na elite do futebol gaúcho. 
 
Delmar Blatt, gerente de futebol era o responsável pela montagem do elenco para a disputa da Divisão de Acesso 2017. A diretoria teve competência ao montar um grupo forte levando em consideração as condições financeiras do clube, pois os recursos disponíveis eram muito abaixo se comparado ao investimento dos adversários. 
 
Para Delmar a conquista foi muito importante e o Acesso veio no momento certo, pois o São Luiz estava no seu terceiro ano disputando a competição. “Depois de um início um pouco instável, o treinador Paulo Henrique Marques encontrou o time ideal e a partir disso, a nossa arrancada culminou com o acesso á Série A do Gauchão, naquele histórico 4 a 1 em cima do Inter-SM e posteriormente ao título da competição em cima do Avenida”, destaca Delmar. 
 
Já para o técnico Paulo Henrique Marques foi muito legal comandar o time em 2017, pois apesar do começo difícil, o time encaixou e deu certo. “Fui procurado pelo São Luiz, se não me engano em setembro de 2016, aí logo a gente acertou e comecei a trabalhar, o departamento de futebol juntamente com a direção para a montagem do grupo foi bastante difícil porque o São Luiz já ia para o terceiro ano na Divisão de Acesso, sem o dinheiro da Primeira Divisão do Campeonato Gaúcho, sem investimento, então o começo foi difícil para contratar os jogadores, pois sabemos que o jogador tem preferência por jogar a Primeira Divisão, então é preciso convencer e encontrar atletas que se enquadram dentro do perfil de time ideal de acordo com o orçamento disponível para o campeonato, então nesse sentido foi bastante trabalhoso, mas deu certo”, relembra Paulo. 
 
Além disso, para o comandante do Acesso, o jogo mais marcante foi contra o Brasil de Farroupilha, porque o Rubro precisava da vitória para manter-se vivo na competição, pois a equipe vinha de muitos empates seguidos. “Depois daquela vitória contra o Brasil lá em Farroupilha de virada, conseguimos seis vitórias, então passamos de uma equipe que estava com muita dificuldade para se classificar, para uma equipe que estava em primeiro lugar na tabela geral”, comenta Paulo. 
Outro jogo marcante na sua visão na caminhada rumo ao Acesso foi contra o Inter-SM, pois o São Luiz precisava da vitória com dois gols de diferença, pois o adversário havia ganhado a primeira partida em casa. Já no jogo da volta no Estádio 19 De Outubro, o Rubro abriu o placar, mas levou o empate, o primeiro tempo terminou em 1 a 1.
 
“No segundo tempo precisávamos fazer 3 a 1 e o campo estava muito embarrado, pois havia chovido a semana inteira, então conseguimos fazer o placar de 4 a 1 e coroar aquela campanha e isso foi muito legal”, conta Paulo. O técnico trabalhou por três anos no São Luiz, e de acordo com ele esse tempo foi de muita dedicação, empenho e muita compreensão principalmente da diretoria e do departamento de futebol para que a equipe fizesse campanhas boas. 
 
“Fomos campeões, realizamos uma campanha muito boa na Divisão de Acesso, depois no primeiro ano ficamos entre os oito melhores times do Gauchão, já no segundo ano ficamos entre as quatro melhores equipes aonde chegamos à semifinal e assim conseguimos no terceiro ano, colocamos o São Luiz no Campeonato Brasileiro Série D e Copa do Brasil, então em 2020 o São Luiz está no Gauchão, Copa do Brasil e Série D do Brasileiro, por isso foi marcante o ano de 2019 e para mim muito legal também”, finaliza Paulo. 
 
O Esporte Clube São Luiz estava no terceiro ano participando da Divisão de Acesso quando Pedro Pittol assumiu a presidência do clube. Portanto no seu primeiro ano de gestão o objetivo era retornar à elite do Gauchão, o que ocorreu devido à montagem de uma equipe técnica com bons profissionais, bem como um bom elenco dentro das possibilidades financeiras do clube. Para isso, a diretoria se entusiasmou e contribuiu com muito trabalho para o ótimo desempenho do clube.
 
“Fomos bem em campo e isso consequentemente ajudou no  aumento do número de sócios e patrocinadores. O gramado era ruim e piorou devido ao excesso de chuvas, então tivemos coragem para fazer as mudanças necessárias, adquirimos um gramado novo com drenagem nova de boa técnica,  com grama tifton  419 - que  é  a própria para gramados de campo de futebol,  e além disso, irrigação artificial e  automática. Então atualmente temos um dos melhores  gramados do Rio Grande do Sul”, destaca Pittol. 
 
A sintonia dentro de campo trouxe resultados a fim de melhorar a gestão do clube e o bem-estar da diretoria, atletas, torcedores e patrocinadores. De acordo com Pittol, o número de sócios e patrocinadores aumentou durante a campanha da Divisão de Acesso 2017, o que ajudou a equilibrar as finanças do clube. 
“Sem dúvidas o entusiasmo de termos retornado à elite do futebol gaúcho foi muito grande. A partir disso também trocamos a iluminação, desde os postes mais altos (25 metros de altura) até o painel de suporte dos refletores, bem como, o vestiário, salas do departamento médico, banheiros e camarote para os visitantes. Portanto, tudo contribuiu para o bom desempenho do São Luiz”, finaliza Pittol. 
 
Um dos personagens marcantes desta história é o atleta Jean Dias que pensou em desistir do futebol, mas o São Luiz foi um divisor de águas em sua vida. “A importância desse título para a minha vida é muito grande, porque foi uma época em que eu havia desistido do futebol por algumas razões, e quando eu recebi a ligação do Delmar e a sinceridade dele ao falar que estava montando um grupo de respeito que ia conquistar e que contava comigo nesse plano, o meu desejo cresceu”, relembra Jean. 
 
Jean conta sobre a sua conversa com Delmar Blatt, gerente de futebol. “Eu lembro que conversei com o Delmar e falei: eu estou decepcionado com o futebol, vou seguir com outra vida. Então o Delmar me disse o seguinte: Jean tenta só mais uma vez, aqui no São Luiz você vai ser feliz, vai conquistar e a sua vida vai mudar e foi isso o que realmente aconteceu”, conta.
O jogador revela ainda que a conquista do Acesso foi um marco na sua vida pessoal e profissional. “Nesse clube, nessa cidade e com essa torcida, com o grupo que tínhamos, posso dizer que foi a melhor equipe na qual já trabalhei, com homens de respeito, com atletas profissionais e com um grupo muito capacitado, então essa conquista para mim foi um marco, um divisor de águas na minha vida”, comenta. 
Além disso, após sua passagem pelo Rubro, a vontade inicial de Jean de desistir do futebol, desapareceu. “Sou muito grato ao São Luiz e por tudo que proporcionou na minha vida. Então um dos momentos mais marcantes na minha vida mesmo foi justamente isso, jogar no São Luiz”, conta. 
 
Justamente há poucos meses quando havia desistido do futebol, Jean recebeu a ligação do Delmar e através do São Luiz, pôde dar uma reviravolta na sua vida e na vida da sua família. A conquista do Acesso em 2017, e posteriormente o título, foi muito importante para a  trajetória do atleta.
 
“O grupo, cada brincadeira, treinamentos e conquistas que tivemos no decorrer do campeonato fortaleceu ainda mais a nossa união, pois não começamos bem a competição, mas o grupo se disponibilizou a se preparar e a se dedicar mais para que pudéssemos conquistar o objetivo que era o Acesso novamente a Série A, que era ser campeão, então eu só tenho mesmo a agradecer, agradecer primeiramente a Deus, ao São Luiz, ao Delmar e dizer que tudo aquilo que nós vivemos no clube, no ano de 2017, para a minha vida foi um dos momentos mais importantes”, destaca Jean. 
 
Além disso, o jogador relembra a receptividade do clube e do presidente Pittol com ele e sua família. “O modo como eu fui recebido, a forma como nos trataram, como era cada dia a dia, da torcida, o carinho do Pittol, da família dele que cuidou muito bem de mim, da minha esposa e da minha filha que tinha apenas um mês de vida quando fomos para Ijuí, então eu posso dizer que esse clube está no meu coração”, comenta. 
 
Essa conquista tão importante para todos que participaram, foi uma das maiores na vida de Jean, pois viveu de modo muito especial. E, ainda ele relembra da motivação dos atletas para reverter o placar contra o Inter-SM. 
“Eu lembro que quando perdemos para o Inter –SM lá na casa deles, o primeiro jogo da ida do Acesso, por  1 a 0, nós viemos dentro de campo dizendo assim: lá dentro do 19 de Outubro eles vão sofrer muito porque nós vamos subir, pois batalhamos até agora para chegar neste momento, então lá dentro de casa eles não têm chance contra nós”, conta Jean.
 
 Portanto, o ânimo, a vontade, a positividade de cada atleta fez total diferença para que o Rubro conquistasse o resultado de 4 a 1. “Quando saímos de Santa Maria retornando para Ijuí, aquele Acesso já estava na história do clube, porque os atletas tinham colocado na cabeça que o Acesso é do São Luiz e ninguém pode nos tirar essa conquista”, então um momento muito marcante no Acesso de 2017 na visão de Jean foi ver no rosto dos companheiros a confiança na conquista do Acesso.
 
Já para o artilheiro do São Luiz na competição, Léo Mineiro, o grupo lutaria para chegar à Primeira Divisão. Desde o início do trabalho e na pré-temporada tudo fluiu bem, e o Rubro pôde mostrar a sua força nos momentos de dificuldade. “A diretoria queria trocar a comissão técnica, mas nos unimos e afirmamos que todos iam alcançar o objetivo juntos e a partir disso, foram somente vitórias e eu sempre ajudando, após seis jogos sem marcar gols, consegui balançar as redes e fui artilheiro do time no campeonato”, destaca Léo. 
 
A campanha de 2017 do Acesso foi algo inédito para Tiago Gaúcho por se tratar de jogar em Ijuí, pois gerou expectativas pelo grupo que se formou juntamente com o Delmar, que foi um dos responsáveis por trazer o atleta. “Fiquei muito feliz com o convite de jogar no São Luiz e a gente sabia que tínhamos um grupo forte, começamos empatando muitos jogos, mas em nenhum momento nós enxergávamos um adversário superior ao nosso time”, conta Tiago.
Para ele, um dos jogos mais importantes foi contra o Brasil de Farroupilha, e no 19 de Outubro onde o Rubro conseguiu o empate aos 47 minutos do segundo tempo, com um gol de pênalti e depois a equipe foi jogar em Farroupilha e ganhou de 3 a 2, iniciando uma retomada na campanha do Acesso.
“Todos os jogos foram importantes, o Aimoré em Ijuí foi bem difícil, pois o campo estava muito embarrado, o jogo contra o Inter – SM pelo jeito que vencemos por 4 a 1, mas eu destaco bastante os dois jogos com o Brasil de Farroupilha porque era um adversário muito forte e a gente conseguiu o empate em casa no final da partida e depois a vitória lá em Farroupilha que nos deu bastante confiança na sequência do campeonato”, destaca Tiago.
As lembranças que ficam na memória do jogador da equipe de 2017 é o grupo de atletas que se reuniam todas as sextas-feiras na casa do Tiago Silva para conversar e tentar trazer sempre uma palavra positiva para que ninguém desistisse e saber que o grupo tinha um propósito maior, o de colocar o São Luiz na Primeira Divisão e isso foi possível com união, trabalho e comprometimento. 
 
“Ressalvo ainda que ficou uma grande amizade com a maioria dos jogadores daquela época, então eu fico muito feliz por ter feito parte disso”, conta Tiago. 
Jogador da base alvirrubra, Ricardo Talheimer conta que o acesso foi importante demais para ele, pois havia se tornado um torcedor. “Dentro de campo além de jogar eu torcia, me cobrava bastante e sofria muito também. No final do jogo do Acesso contra o Inter-SM, fiquei muito emocionado, parecia que tinha saído um peso das costas, para minha carreira foi de suma importância, pois daquele Acesso em diante, a minha carreira profissional alavancou e sobre aquele grupo de 2017, foi um dos melhores que já trabalhei, pois era um grupo fechado onde todos se respeitavam e buscavam o mesmo objetivo: o Acesso” destaca Ricardo. 
 
Um dos destaques do Acesso, o goleiro Jonatas, conta que a conquista e posteriormente o título da Divisão de Acesso 2017 foi um momento muito especial na sua carreira, cada conquista possui suas particularidades, mas essa com certeza foi muito importante, pois  praticamente quase todos os jogos o 19 de Outubro estava lotado, fato que dava aos atletas muita motivação para conquistar os resultados e os objetivos, e a superar as dificuldades.
“Eu me recordo muito daquela decisão até mesmo pelo número de cobranças de pênaltis que foram feitas e aqui quero deixar registrado também a competência da maioria dos jogadores, se não na totalidade, porque de 10 pênaltis, converter nove é um número muito expressivo de acertos, então foi muito legal, e eu fico muito feliz por ter participado diretamente tanto na defesa da décima cobrança da equipe do Avenida, quanto na cobrança que deu o título, que foi a décima que tive a oportunidade de converter”, destaca Jonatas. 
 
O goleiro do Rubro na conquista do Acesso relembra a conversa que teve com o atacante Léo Mineiro sobre a última cobrança de pênalti que garantiria o título ao Rubro. “Eu não esqueço até hoje que quando o Léo Mineiro veio conversar comigo naquela ocasião falando antes da do Avenida bater o décimo pênalti, ele falou que eu iria bater o décimo pênalti e que era a minha vez de bater e eu falei para ele que podia confiar em mim, ficar tranquilo que eu ia fazer o meu melhor”, lembra Jonatas. 
 
O atleta conta ainda que a sua defesa na décima penalidade deu confiança para converter o último pênalti do jogo. “Quando o jogador bateu e eu consegui fazer a defesa, ficou mais leve para eu bater a última penalidade, até mesmo porque se houvesse o erro, teríamos mais uma chance de sermos campeões, então com certeza isso influenciou também para eu ter mais tranquilidade para converter o pênalti”, conta. 
 
Esse momento com certeza ficará marcado na trajetória profissional de Jonatas. “Esse Acesso foi importante até mais que o título e com certeza esse tempo que eu fiquei em Ijuí foi tão importante tanto para a minha vida pessoal, quanto para a minha vida familiar”, finaliza. 
 
Já Fernando Antes, preparador físico do Rubro desde 2011, conta que o Acesso em 2017 foi a conquista que o proporcionou mais emoções. 
 
“Tivemos um começo de campeonato instável onde ao final do primeiro turno se pedia a troca da comissão técnica. Mas com muito trabalho e o respaldo da diretoria, conseguimos dar a volta por cima. A equipe se organizou durante a competição e adquiriu a confiança necessária para fazer bons jogos. Numa mesma competição vivemos os extremos, saímos do inferno e fomos para o céu”, destaca Fernando. 
Os jogos finais da competição proporcionaram muita emoção, com adversários qualificados e como agravante, campos muito embarrados e com poucas condições de jogo. Esses Fatores aumentaram a dramaticidade dos jogos. Mas a equipe com muita união superou todas as adversidades e em um jogo épico contra o Inter - SM conseguiu o tão sonhado Acesso e a volta para a elite do futebol gaúcho.
 
“Esse Acesso com certeza sempre estará muito vivo na minha memória e de todos que vivenciaram esses momentos, é muito gratificante ter colaborado e feito parte desta inesquecível história. O título veio a coroar a equipe de melhor campanha na competição”, comenta Fernando. 
 
Leandro Machado, auxiliar técnico em 2017, conta que quando se conquistam os objetivos traçados no início de cada competição, todas as pessoas envolvidas com o clube precisam realizar suas funções com excelência e isso realmente aconteceu naquele ano, pois todos os colaboradores do clube não mediram esforços para contribuir com o São Luiz.
 
“Dentro de campo tínhamos um time muito bom tecnicamente, disciplinado, atletas acostumados com a competição e extremamente comprometidos com os objetivos do clube que era voltar à Primeira Divisão e isso motivou os torcedores que compraram a ideia e passaram a lotar o Estádio 19 de Outubro e se tornaram realmente o nosso mais importante jogador”, destaca Leandro.  
 
Outro fator fundamental para o sucesso do clube em 2017 é a confiança e a convicção que a diretoria teve no trabalho da comissão técnica, mesmo quando o time passou seis jogos sem vencer - cinco empates e uma derrota. 
 
“O clube sofria uma pressão para que houvesse troca no comando técnico da equipe, mas a direção bancou a continuidade do trabalho e o resultado no final compensou a todos e mostrou que estavam certos”, conta. 
Já Luli, preparador de goleiros em 2017 e 2018 relembra que a preparação para o campeonato foi tranquila, com o grupo focado nos treinamentos. Mas quando começaram os amistosos foi possível perceber que havia algumas carências no grupo de jogadores, mas naquele momento a diretoria não tinha recursos disponíveis para contratações. 
 
“O primeiro jogo em Bento Gonçalves nos saímos bem, com algumas dificuldades, mas tivemos resultado positivo, uma vitória na primeira partida. Após, cinco empates e uma derrota colocaram todo o trabalho à prova, com riscos de demissão de algumas pessoas. Porém o segundo turno chegou e tudo mudou, e muito se deve pela postura dos atletas que tinham se reunido e se unido ainda mais para conquistar os objetivos, o resultado foi seis vitórias seguidas e um empate, liderança da chave e a melhor campanha no geral”, destaca Luli. 
 
Na fase mata a mata o Rubro enfrentou o Aimoré em São Leopoldo e empatou em um jogo muito truncado. Já no jogo de volta o São Luiz abriu o placar em um pênalti que Léo mineiro cobrou e o jogo seguiu tenso até os 44 minutos do segundo tempo.
 
 “Nesse momento, uma bola sobrou livre para o jogador do Aimoré, mas Jonatas conseguiu fazer um milagre, mostrando tudo o que tínhamos treinado até aquele momento, final de jogo 1 a 0 e o sonho do Acesso continuava vivo. Quando o juiz apitou o final do jogo eu saí correndo na direção do Jonatas para abraçá-lo, pois se não fosse aquela defesa estaríamos fora, foi um momento muito emocionante, pois ali estavam depositados todos os sonhos de uma vida inteira”, conta Luli. 
Além disso, o atleta relembra que em Santa Maria uma ambulância atrapalhou o andamento da partida. “O jogo era muito difícil no qual até a ambulância conseguiu estragar o espetáculo, pois teve que entrar em campo deixando valetas e atrapalhando os jogadores. Final de jogo 1 a 0 para os adversários e o Jonatas novamente fez um milagre para nos manter vivos na competição”, comenta. 
 
O jogo que mais o emocionou na trajetória rumo ao Acesso foi o da volta contra o Inter – SM no 19 de Outubro. 
 
“Nesse jogo estavam depositadas todas as aspirações de um profissional que com o apoio de sua esposa rumaram ao interior para que ele pudesse desenvolver seu trabalho, muito desse momento devo à Angélica, minha esposa, pois acreditou no meu trabalho e veio junto”, conta Luli. 
 
O jogo contra o Inter-SM estava difícil, pois o Rubro abriu o placar, mas tomou o empate. Luli conta que no intervalo a conversa deu muita confiança e, além disso, estavam diante de quase 5 mil rubros que faziam o 19 de Outubro pulsar. A partida acabou em 4 a 1 e o Acesso para a Série A garantido. 
 
“O sentimento era de dever cumprido e um peso saiu das minhas costas, eu nunca quis provar nada para ninguém, pois sempre pautei a minha vida profissional em provar para eu mesmo o quanto era capaz, e no meio da comemoração em um campo coberto de barro, surge o abraço que eu precisava naquele momento para poder realmente extravasar minha emoção, o da minha esposa, companheira e amiga que estava lá dentro dizendo que sempre soube que conseguiríamos, e ali comecei a chorar de emoção lembrando tudo o que já tinha vivido no futebol em 19 anos”, destaca Luli. 
 
A final foi apenas a coroação de um trabalho árduo que acabou com a taça levantada e a medalha no peito. 
 
A equipe de 2017 não tinha craque, mas existia um grupo fechado onde todos tinham o mesmo valor. Ronaldinho Gramadense conta que dificuldades existiram quando começou a fase de mata a mata, pois era muita ansiedade para que começassem os jogos. 
 
“Estar na história desse clube não tem preço pelo simples fato de ser reconhecido por ter subido com o São Luiz, tenho carinho imenso por essa camisa. E além de jogar, fiz muitas amizades com torcedores e simpatizantes e isso não tem preço e a história ninguém apaga, então me sinto muito orgulhoso por ter feito parte de tudo isso”, destaca Gramadense. 
 
Já de acordo com Xaro a trajetória foi muito boa, pois o grupo era unido e estava em sintonia com a torcida alvirrubra que jamais deixou de apoiar e incentivar o time. “Eu fui muito feliz, e juntamente com o grupo forte que tínhamos, um grupo unido fez toda a diferença, não só o grupo, como uma torcida, o estádio sempre lotado, jogos difíceis e os torcedores sempre apoiaram e em nenhum momento deixou de incentivar e a gente conseguiu a classificação com duas rodadas de antecedência”, conta Xaro. 
 
Vencendo fora de casa o União e também o Glória de Vacaria que não tinha perdido até aquele momento na décima quarta rodada, o Rubro conseguiu emplacar uma sequência de vitórias, empates, sem perder jogos importantes durante o campeonato, e isso facilitou para que a equipe conseguisse a pontuação, e chegar na última rodada do primeiro turno em primeiro lugar, então o São Luiz trouxe todas as decisões para o Estádio 19 de Outubro.
 
O que ficou marcado de acordo com Xaro foi o clima, pois praticamente todos os jogos foram realizados com chuva e com campos muito embarrados. “Todos os jogos principalmente no mata a mata foram com chuva, barro, a semana inteira chovendo, foi uma época que choveu muito, então lembro que no jogo contra o Aimoré, estava muito embarrado, saímos ganhando de 1 a 0, seguramos até o último minuto, recordo até hoje uma defesa importantíssima do Jonatas, um lance que poderíamos perder a classificação, mas chegamos na final para o Acesso contra o Inter – SM”, comenta Xaro. 
Em Santa Maria não foi diferente, um jogo também com muita chuva e campo embarrado. “Lembro quando fomos atacar o adversário no lado mais difícil, onde era embarrado, estava chovendo e nós pensávamos se jogarmos a favor primeiramente do barro e então no segundo tempo pegaríamos o campo um pouco melhor para atacar e então passaram a ambulância na frente da área para dificultar a nossa chegada para carregar a bola”, conta. 
O jogo terminou em 1 a 0 para a equipe da casa, então o Rubro teve uma semana para trabalhar e focar, porém, mais uma semana chuvosa se apresentava, até que chegou o sábado e mais uma vez, um jogo difícil aguardava a equipe alvirrubra.
 
“Saímos ganhando, mas empataram e nós teríamos que fazer dois gols e foi uma batalha, uma guerra, onde foram jogadores expulsos, fizemos mais dois gols e nós com um jogador a menos, segurando, e nos últimos minutos uma arrancada do Jean, um passe fenomenal para o nosso companheiro que fez o gol, então ali decretou a vitória dos 4 a 1 que nos colocou na Primeira Divisão, mas sabíamos que o grupo era muito forte e merecia essa conquista, pois sempre respeitamos cada adversário, e não tinha como não subir devido a união, a cidade, o grupo de jogadores, a comissão técnica, diretoria, o torcedor, todos empenhados, foi um Acesso histórico”, relembra Xaro. 
 
O atleta que é ijuiense relembra com muita emoção os fatos que proporcionaram o Acesso de 2017 ao São Luiz. “Hoje relembro com muita emoção devido aos fatos, eu que sou ijuiense lembro de cada minuto, cada segundo e cada momento importante do Acesso e a final veio para consagrar todo o trabalho que foi feito, a final onde quase praticamente todos os jogadores bateram pênalti, um defendia, outro fazia e aí nos consagramos com troféu, então eu fico muito feliz por isso”, conta. 
 
A união novamente é destaque daquela equipe que estava engajada em prol do mesmo objetivo.  O ponto mais importante foi a união de todos, ajudando um ao outro porque a Divisão de Acesso é mais difícil e necessita de ajuda mutua.
 
“Foi maravilhoso conquistar não só o Acesso, mas o título, então o ponto mais marcante foi a união de todos dentro e fora de campo, e o troféu coroou todo esse trabalho maravilhoso que foi feito em 2017. Eu fico muito feliz em fazer parte desta história”, comenta Xaro.
O jogador relembra ainda uma curiosidade, pois jogou o segundo tempo da partida contra o Avenida com a fíbula - um osso longo da perna - quebrada. 
 
“No final do primeiro tempo, eu tomei uma pancada forte, naquele momento achei que era uma pancada normal de jogo e no intervalo o Seu Zé fez massagem para aliviar um pouco a dor, mas voltei no segundo tempo com aquela dor, porém não imaginávamos que seria um osso quebrado, joguei quase todo o segundo tempo com a perna quebrada, e após a final fiquei de três a quatro meses sem poder jogar futebol, joguei quebrado, mas o mais importante de tudo foi o Acesso, o título que coroou todo esse trabalho”, finaliza Xaro. 
 
Maicon também participou da conquista do Acesso em 2017 e considera aquele grupo uma família. “Em 2017 o São Luiz não teve um time ou uma equipe, ali se formou uma família, digo isso porque dentro de toda família por mais unida que seja, acontecem brigas, discussões ou desentendimentos, mas família que de fato é unida não guarda mágoa, rancor ou raiva de seu parente e no clube era dessa forma, todo jogo havia uma briga ou discussão dentro de campo, o que é comum em todos os times, porém fora de campo não havia vaidade ou orgulho a ponto de levarmos aquela discussão de dentro do campo para fora dele”, destaca Maicon.
 
De acordo com o atleta todos sabiam que a cobrança dentro de campo era em prol do melhor, então havia esse entendimento e essa aceitação, o que marcou para Maicon foi a família que se formou no Rubro. 
 
“O grupo, a família que ali se formou pode parecer algo clichê dizer que ‘éramos uma família’ depois de uma conquista, pois a maioria diz isso, pois realmente é, porque é muito difícil chegar a uma conquista dentro do esporte, ainda mais se tratando do futebol onde envolve muitas pessoas de personalidades, opiniões e pensamentos diferentes um dos outros, portanto, a união, a aceitação e a compreensão são fundamentais”, conta Maicon. 
 
O jogador comenta ainda que na maioria das conquistas isso faz muita diferença, e para criar esse elo a fim de conduzir tudo do início ao fim de um campeonato, é preciso um comando consistente.
 
“Não posso deixar de citar o comando, então Delmar juntamente com o professor Paulo e sua comissão técnica tem muito o meu respeito e admiração, pois lá se formou uma família, e isso passa muito por eles, primeiramente pela escolha dos atletas e posteriormente pela forma que conduziram sempre com tranquilidade e convicção o trabalho todo, o professor Paulo, Leandro, Fernando e Kuki são pessoas de uma índole admirável, e sempre foram diretos e sinceros, nunca vi eles colocando dúvidas sobre a qualidade ou capacidade de nenhum atleta”, conta Maicon.
Portanto, para obter com êxito uma conquista como a Divisão de Acesso é fundamental união, confiança, respeito e muito trabalho. Além disso, Maicon cita o comprometimento como ponto chave para ter bons resultados. “O comprometimento com o companheiro, com o objetivo, além de comprar a ideia do outro, isso foi fácil, pois todos ali tinham a mesma ideia, conseguir o Acesso e brigar pelo título, pois sabíamos que com isso ficaríamos marcados no clube para sempre, e a prova disso é que hoje se passaram três anos e estamos aqui contando como aconteceu aquele momento marcante”, destaca Maicon. 
 
Além disso, Maicon ressalta a importância do clube e do Acesso de 2017 para a sua vida pessoal e profissional. 
“Profissionalmente aquele título é gigantesco, no futebol atualmente procuram-se atletas vencedores, campeões, e ter um título é muito bom, sendo de um campeonato com nível difícil que é a Divisão de Acesso do Gauchão é algo muito mais positivo no currículo, e particularmente é algo inesquecível, pois sabemos da dificuldade que é ser campeão então isso é algo realmente marcante para todos que conseguem chegar a esse êxito”, completa Maicon. 
 
Deste modo, com essa baita história sobre o retorno do Esporte Clube São Luiz à elite do futebol gaúcho em 2017, encerramos nossas matérias especiais sobre momentos inesquecíveis e personagens marcantes na trajetória do Rubro.
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